Câmara Municipal das Lajes das Flores

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FreguesiasFajãzinha (ver site da Junta)

Executivo

Órgãos Autárquicos
Presidente Verónica Marisa Alves Eduardo
Secretário Paula Cristina Costa Faria
Tesoureiro José Eusébio Eduardo Perpétua
Órgãos Deliberativos da Freguesia (Plenário)
Presidente Serafina Corvelo de Freitas Eduardo
1º. Secretário Maria Duarte Silveira Eduardo Fortuna
2º. Secretário Olga Maria da SIlva Frade Costa

Historial

A freguesia de Fajãzinha, uma das menos povoadas do concelho de Lajes das Flores, dista, aproximadamente, quinze quilómetros da sua sede concelhia.

Localizada na costa ocidental da ilha das Flores, ao sul da freguesia de Fajã Grande, estende-se por um planalto irregular, que encerra entre mistérios e tradições, quatro enormes e maravilhosas crateras denominadas Lagoa Funda (com cerca de 108 metros de profundidade), Lagoa Comprida, Lagoa Branca e Lagoa Seca.

A Freguesia é atravessada pela Ribeira Grande, a maior corrente cristalina da ilha das Flores, que, apesar de bela e majestosa, provocou no passado, inúmeras inundações, tal como o Padre José António Camões refere na sua obra Roteiro Exacto da Costa da Ilha : "Passado aquela povoação encontra-se logo a Ribeira Grande, que divide a freguesia, (...) e se encareceo a sua força e impetuosidade que certamente é grande. Cai a dicta ribeira de uma formidavel cachola, eminente à freguesia da Fajanzinha, a que dão de altura 200 braças: e caida; ven successivamente encorporar-se e ajuntar-se a ella todas as agoas da rocha, que serve de demarcação à freguesia, desde leste a sueste, e vem a ser a ribeira dos ferreiros, 4 grotas, sem nome na rocha chamada – a Rocha do Velho, a grota do Enchente, cujas águas engrossão e infurecem tanto que de inverno, e ainda mesmo havendo chuvas, de verão a fazem invadeavel".

A título de curiosidade, regista-se que em 1789, sob a orientação do juiz de fora José Gonçalves da Silva, foi construída uma ponte de pedra sobre a Ribeira Grande, uma construção formidável para a época mas que ficou, para a História, como "a ponte da má memória", tal como o Padre Camões elucida: " [Houve tal inundação e enchente em 1794] que não só derrubou a dicta ponte, mâs nem sequer ao menos della ficou o menor vestigio, sem rasto, saindo de seo leito natural a dicta ribeira que no desembocar no mar deixou um areal largo em maior distancia de 300 braças com uma perda inextimavel dos pobres lavradores que possuião terras a ella contiguas, que todas ao mar foram derregadas".

Administrativamente, Fajãzinha integrou sempre o concelho de Lajes das Flores. Entre os anos de 1895 e 1898, período em que este foi suprimido, fez parte do município de Santa Cruz das Flores.

Desde sempre, esta Freguesia desempenhou um importante papel administrativo no conjunto da Ilha, já que ela foi, desde o longínquo ano de 1676, sede paroquial das Fajãs, englobando os lugares de Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro, sob o orago de Nossa Senhora dos Remédios. Só em 1850, o Mosteiro e a Caldeira ascenderam a Freguesia e, já em 1861, foi a vez de Fajã Grande e Ponta Delgada das Flores recebera tal privilégio.

Esta região pitoresca e repleta de tradições foi ainda abençoada por paisagens naturais dignas de um verdadeiro paraíso. Perante tal sublimidade, João Vieira fez a seguinte descrição: "Na encosta íngreme do vale, a mão do homem, com muito suor, construiu a sua igreja e as casas, abriu o caminho onde penosamente deslizaram 'corsões' (zorras), meio de comunicação com o resto da ilha. Admirável exemplo da implantação no terreno em harmonia com a paisagem. Visto do alto, o casario, talvez por ciúme, corre para o mar, acompanhando a Ribeira Grande, que por mais de quatro séculos abasteceu de aguadas a navegação que sulcou os mares entre o Velho e Novo Mundo. Entre searas de milho que circundam o casario branco, uma estrada de asfalto negro serpenteia entre a verdura. Se o paraíso bíblico tivesse existido à beira-mar ... bem poderíamos pensar que este recanto lhe pertenceu ..."

Desenvolvimento e Turismo

POPULAÇÃO

Divisão Etária:
Crianças: 7.6%
Adolescentes: 2.8%
Adultos: 67.8%
Idosos: 21.8%

Número de Residentes: Cerca de 95 habitantes
Número de Eleitores Recenseados: 88 eleitores. Dados reportados ao Referendo Nacional de 11 de Fevereiro de 2007.

Em busca de melhores condições de vida, parte da população activa emigrou para diferentes países europeus e americanos. Porém, como não esquecem a sua terra natal, visitam-na todos os anos e, quando regressam definitivamente, investem em diversificadas áreas da Freguesia.

DESENVOLVIMENTO E TURISMO

Sectores Económicos
Uma vez que, desde a sua génese, Fajãzinha foi caracterizada pela excelência das suas terras, não admira que parte considerável da sua população se ocupe ainda em actividades do sector primário, como a agricultura e a pecuária. Contudo, perante os novos desafios que a sociedade actual nos apresenta, actividades dos sectores secundário e terciário complementam, hoje, a economia desta freguesia florentina.

Desporto, Cultura e Lazer
Dado que é o associativismo que mais contribui para o desenvolvimento da freguesia, designadamente através da dinamização de áreas como o desporto e a cultura, Fajãzinha conta com o apoio e trabalho de algumas colectividades, entre as quais se destacam:

  • o Clube Desportivo;
  • a União Operária Nossa Senhora dos Remédios;
  • a Sociedade Filarmónica Nossa Senhora dos Remédios que foi fundada em 1951, com o apoio do pároco da Freguesia de então, o Reverendo Padre António Joaquim de Freitas. Após alguns anos de interregno, provocados pelo surto migratório sentido na década de sessenta, esta Filarmónica retomou os seus trabalhos em 1983. Desde então, tem a funcionar nas suas instalações uma Escola de Música, com actividade não apenas em Fajãzinha, mas também nas vizinhas freguesias de Caveira, Lajedo e Santa Cruz. Composta por cerca de 40 elementos, provenientes de várias freguesias da Ilha, esta Filarmónica tem-se empenhado em desenvolver e difundir a arte musical das Flores.

Por isso, actua regularmente em todas as freguesias da Ilha, tendo também actuado já nas ilhas do Corvo, da Graciosa (em 1989, por altura das Festas em honra a Nossa Senhora da Luz) e da Terceira ( em 1997, quando das Festas da Cidade da Praia da Vitória). No ano de 1999, iniciou um intercâmbio com os Estados Unidos da América, com a deslocação à cidade de Fall River, por altura das Grandes Festas do Divino Espírito Santo de Nova Inglaterra. Em 2000, recebeu, na Ilha, a Filarmónica de São Tiago dos Marrazes de Leiria, e no seguimento desta visita, em 2001, a Sociedade Filarmónica Nossa Senhora dos Remédios conheceu e actuou no distrito de Leiria (Marrazes, Pombal, Vermoil e Termas de Monte Real). Nesse ano, recebeu ainda, nas Flores, a Filarmónica de São João de Stoughton, terminando assim o intercâmbio com ao Estados Unidos da América. Para o biénio 2002-2003, esta Sociedade Filarmónica tem prevista uma permuta com a Filarmónica de Vermoil, de Leiria.

Guia Turístico
É indiscutível que os Açores possuem algumas das paisagens naturais mais belas de toda a Europa. Fajãzinha, neste campo específico, não constitui excepção, orgulhando-se, por exemplo, da moldura verdejante que enquadra as Cascatas da Ribeira Grande (com mais de trezentos metros) e do Ferreiro , o Poço da Cascata do Ferreiro e o Miradouro de Fajãzinha . Do seu património edificado, por outro lado, destacam-se como monumentos dignos de uma atenta visita:

  • a Igreja Paroquial que, dedicada a Santo António, foi edificada em 1778. De relativamente grandes dimensões, tem três naves, divididas por cinco arcos e uma torre sineira. João Vieira faz dela a seguinte descrição: "Uma bela fachada de uma igreja de aldeia sobranceira ao mar, eternamente admirando o coceano, ora sereno e sonhador nas noites de luar, ora tempestuoso nas fúrias dos temporais. Santo António, patrono das causas difíceis e perdidas, é aqui venerado, e a sua protecção era evocada pelos mareantes".
  • o Império do Divino Espírito Santo do Rossio , que foi inaugurado em 1864, mereceu, daquele esforçado autor, o seguinte comentário: "A coroa do Espírito Santo, a grande devoção das gentes açoreanas, ladeada por dois ceptros do Império e pela pomba esvoaçante, que é também elemento das armas da região. As estrelas circundantes simbolizam os dons e as graças do Divino".
  • o Moinho de Água que, situado na ribeira da Alagoa, junto à estrada, é um dos únicos da Ilha que ainda se encontra em laboração, foi assim descrito em "Viagens na Nossa Terra": "Moinho de água que há mais de um século mói o grão que o homem regou com o suor do rosto. É o único sobrevivente do ciclo dos cereais nesta freguesia, moendo também para outras localidades da ilha".
  • a Garagem dos Terreiros merece também ser referida pois, há alguns anos, constituía ainda o ponto de partida e de chegada obrigatório para quem se deslocava a esta pitoresca Freguesia. Recebeu o primeiro autocarro das Flores e o segundo veículo de quatro rodas de toda a Ilha. Em frente da garagem, inicia-se também o caminho que conduz à Rocha da Figueira . Muito íngreme, em certos troços, este percurso assemelha-se a uma autêntica escada de pedra. Quase no final da descida, atinge-se a Lagoinha , um sugestivo paul repleto de ervas, resíduos de inhames e com margens alagadiças e pantanosas, a merecida recompensa para tanto esforço.

Trilho:Miradouro das lagoas - Poça do Bacalhau
Ilha: Flores
Concelho: Lajes
Dificuldade: Médio
Extensão: 7 Km
Tempo: 2h 30m

Este trilho começa no miradouro das Lagoas, termina na Poça do Bacalhau e tem a duração de cerca de 2h30m. A marca que indica o início do percurso (ver foto), encontra-se a cerca de 50 m do miradouro. Nesse local, entre pelo atalho em que a Lagoa Comprida se apresenta pelo lado esquerdo. Depois, quando este caminho se cruzar com uma estrada de alcatrão, vire à esquerda e siga, durante algumas dezenas de metros, pelo caminho alcatroado até virar, novamente à esquerda, para um caminho com um piso semelhante ao inicial, que pode ter algumas zonas de água e lama. Aí podem observar-se a Lagoa Comprida, a Lagoa Funda e, mais tarde, a Lagoa Branca com o seu aspecto pantanoso. A seguir, ao chegar a um caminho de terra batida vire à direita. Prossiga, até passar uma ponte sobre uma ribeira, onde deve continuar pelo atalho que lhe vai surgir à direita. Siga com muita atenção as marcas de nevoeiro , até chegar novamente ao caminho de terra batida, para onde deve virar para a direita. Siga por este caminho durante aproximadamente 100 m e vire à esquerda no primeiro atalho que surge. Continue a seguir as marcas de nevoeiro até chegar à beira da falésia, onde se tem uma vista sobre a Fajã Grande. Prossiga depois pela beira da rocha até encontrar uma escadaria de pedra à esquerda, por onde deve descer. Continue seguindo as marcas, até à Poça do Bacalhau. O percurso atravessa duas Zonas de Reserva: Sítio de Interesse Comunitário e Reserva Florestal. É responsabilidade de todos(as) nós contribuirmos para a sua protecção, bem como assegurar a sua biodiversidade através da conservação deste habitat natural. A natureza agradece.

Cultura

TRADIÇÕES

Festas e Romarias
As manifestações religioso-profanas são parte integrante da cultura etnográfica de cada região. Em Fajãzinha, para não se perder a identidade religiosa ancestral da sua população, realizam-se festas em honra do Divino Espírito Santo , sete dias após o domingo de Páscoa; e de Nossa Senhora dos Remédios , no último domingo de Agosto.
Para além destas festividades, são também muito concorridas a Festa da Filarmónica Nossa Senhora dos Remédios , que tem lugar no segundo fim-de-semana de Julho; e a Festa do Patrocínio , que ocorre durante o segundo domingo de Novembro.

GASTRONOMIA

Pratos Típicos
São iguarias da região, Sopa de Agrião de Água, Linguiça (tripa de porco enchida com carne e banha) com Inhames, Morcela (tripa de porco enchida com sangue, arroz e temperos) com Pão de Milho, Molhos de Dobrada e Queijo Caseiro.

Doces Regionais: Fazem parte da confeitaria da região, o Folar da Páscoa e as Filhós do Entrudo.

ARTESANATO

As peças de artesanato, cada vez mais apreciadas por naturais e estrangeiros, funcionam como cartão de visita de cada região, uma marca presente de um passado que tende a ser esquecido. Neste sentido, em Fajãzinha, permanecem vivas algumas artes antigas como a de confeccionar miniaturas em cedro (cadeiras de embalar e alfaias agrícolas, entre outras) ou tapetes em casca de milho.

No passado, a Fajãzinha celebrizou-se pelos seus vimes, que os artesãos entrançavam a formar valiosas peças de mobília e outras de alfaias ou para a agricultura.

João Gomes Corvelo, um artesão local que confecciona e vende artesanato diverso na sua própria casa sita no Largo do Rossio.

Documentos

Prestação de Contas

  • 2012
    Segunda, 4 de Ago de 2014

    Prestação de contas da Freguesia da Fajãzinha - 2012

Documentos

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