Câmara Municipal das Lajes das Flores

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FreguesiasFazenda

Executivo

Órgãos Autárquicos
Presidente Marco Paulo Gomes Oliveira
Secretário Iolanda Graciosa Cabral Freitas Arruda
Tesoureiro Hermenegildo Pacheco Amaral
Órgãos Deliberativos da Freguesia (Assembleia)
Presidente Ana Paula da Silva Alves dos Santos
1º. Secretário Tânia Patrícia Azevedo
2º. Secretário Rúben José Lima Dias
Vogal Emanuel Melo Lopes
Vogal Duarte António Silveira Câmara
Vogal Reinaldo José Resendes Lindo
Vogal Elisabete Maria Vieira Estácio Medeiros

Historial

A freguesia da Fazenda foi a última a ser criada na ilha das Flores, por desanexação da Vila de Lajes das Flores. São poucos os cronistas açorianos que se referem à existência desta localidade, talvez por, apenas no século XX, ter sido elevada a Freguesia. Contudo, o Padre António Camões, quando redige uma descrição sobre a Ilha, afirma que, após a ribeira Funda, "cousa de 55 braças corre ao mar de cima de uma rocha outra ribeira chamada da Fazenda. Continuando para susueste, ainda na mesma baia, está uma pequena chamada baixa do Cherne. Pouco distante da tal baixinha está uma pequena ponta chamada a Ponta da Fazenda" . (In Roteiro Exacto da Costa da Ilha)

Mais adiante, o mesmo historiador refere que, na época, a Fazenda contava com 72 fogos, num total de 395 almas, sendo 198 homens e 197 mulheres. O lugar continha 35 casas de telha e apenas 5 homens calçados. A mesma fonte regista ainda que, neste lugar, "se fabrica a melhor telha da ilha, e hé onde antigamente se criavam os homens, mais fortes e mais robustos, mais animosos de ambas as ilhas".

Para além do que fica exposto, crê-se que o povoamento desta região ter-se-á encetado na zona da Eirinha Velha, durante o século XVI.

Em termos administrativos, apesar de apenas em 1919, ter adquirido a sua autonomia, Fazenda já havia sido elevada a curato, em 1904. Já nessa altura, o senador André de Freitas lançou no Senado, a ideia de elevar a povoação a Freguesia, embora sem resultados práticos. Mais tarde, o senador Machado Serpa retomou esta ideia de independência e, a 9 de Dezembro de 1919 foi, então, promulgada a lei n.º 915 que criou na povoação da Fazenda, uma paróquia civil, tal como se transcreve de seguida:
"Ministério do Interior. Direcção Geral da Administração Política e Civil. Lei n.º 915.
Em nome da Nação, o Congresso da República decreta e eu promulgo a lei seguinte: Artigo 1.º: É criada uma paróquia civil constituída pela povoação da Fazenda, que actualmente faz parte da paróquia das Lajes, na Ilha das Flores, distrito da Horta, com as confrontações seguintes: norte Ribeira Funda, sul Grota do Telhal, leste Barrocas do Mar, oeste o Rochão do Junco e Cruzeiro. Artigo 2.º: O Governo nomeará comissões que, em substituição das Juntas de Paróquia da Fazenda e Lajes, fiquem gerindo a administração paroquial até que se procede a eleição. Artigo 3.º: Fica revogada a legislação em contrário. O Presidente do Ministério e Ministro do Interior o faça imprimir, publicar e correr. Paços do Governo da República, 9 de Dezembro de 1919. António José de Almeida – Alfredo Ernesto de Sá Cardoso".

Não obstante, apenas em 1959, por alvará de 10 de Novembro, D. Manuel Afonso de Carvalho erege o já curato da Fazenda a Paróquia com todos os direitos e deveres previstos no Direito Canónico, tal como se infere através do documento seguinte:

"Dom Manuel Afonso de Carvalho, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica Bispo de Angra e Ilhas dos Açores
Aos que esta Nossa Carta de Sentença virem de Saúde, Paz e Benção em Jesus Cristo Nosso Divino Salvador.
Fazemos saber que, tendo-Nos sido pedida a erecção da paróquia do Senhor Santo Cristo da Fazenda, Ouvidoria das Lajes, Ilha das Flores, depois de observados os trâmites de estilo, Demos e Proferimos nos respectivos autos a Sentença do teor seguinte: (...)
Considerando que o Curato do Senhor Santo Cristo da Fazenda, Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, ouvidoria das Lajes, Ilha das Flores, desta Diocese, tem uma população de seiscentos e setenta habitantes;
Considerando que existe neste Curato uma igreja ampla, dotada de todas as alfaias para o culto;
Considerando que há dificuldades em a população se deslocar à igreja paroquial das Lajes que dista cerca de três quilómetros;
Considerando que não é possível atender-se ao bem espiritual de tão grande número de fiéis, conforme o can. 476;
Considerando que os habitantes do referido Curato se comprometem a contribuir para o necessário para a sustentação do culto e dos seus ministros, segundo o can. 1410;

Tudo visto e ponderado, depois de ouvido o Cabido da Sé Catedral e todos os interessados, Havemos por bem:

a) Desmembrar o Curato do Senhor Santo Cristo da Fazenda da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e erigi-lo em Paróquia com todos os direitos e privilégios e deveres expressos no Código de Direito Canónico, sendo considerada paroquial a Igreja dedicada ao Senhor Santo Cristo;

b) Determinar os seguintes limites: A linha divisória é ao Sul a Grota do Telhal desde a Rocha do Mar até à Pedrinha; daqui segue em linha recta até à Pedra das Alfaces, passando através dos prédios de João Gomes Vieira, herdeiros de João Maurício de Fraga, herdeiros de António José Armas e José Trigueiro Gomes e José Pereira Gomes, Jerónimo Gonçalves Trigureiro e António Coelho Gomes e Floriano Rebelo; da Pedra das Alfaces segue em linha recta até à Boca do Cruzeiro através do prédio através do prédio de Floriano Rebelo. Ao oeste, segue da Boca do Cruzeiro até à Caldeira de Lomba passando pela vereda da Lama e pelo prédio de Jorge Gomes de Fraga, situada entre o Rochão do Junco e a Ladeira da Caldeira da Lomba. Ao norte, desta Ladeira da Caldeira da Lomba segue em linha recta até à nascente da Ribeira Funda, passando através do Baldio, denominado Horta do Calixto; e pela Ribeira Funda segue até à sua foz na Rocha do Mar. Ao leste segue pela Rocha do Mar, situada entre a foz da Ribeira Funda e a foz da Grota do Telhal incluindo o Pesqueiro, a Ponta do Capitão e a Baixa Comprida.

c) Nomear como Pároco o Reverendo Padre José Vieira Gomes, com o título de Reitor.

Passe-se instrumento da Sentença, na forma do estilo, e seja publicada no Boletim Eclesiástico dos Açores e no Jornal "A União".
Angra do Heroísmo, 10 de Novembro de 1959
Manuel, Bispo de Angra"

Terra de gente com muita fé e muita vontade, quando da benção da primeira pedra da sua Matriz, um jornal local caracterizava a Fazenda, como sendo "um logar muito importante das Lajes pela boa indole dos seus habitantes, pela abastança d'um grande numero de proprietarios que ali ha, parecendo a sua povoação uma pequena villa".

Partindo desta citação, abre-se o caminho para o registo da biografia de alguns dos sacerdotes que paroquiaram esta Freguesia e que, à sua maneira, contribuíram para o engrandecimento da Fazenda, dentro e fora das Flores.

Padres que paroquiaram na freguesia da Fazenda
O Padre Francisco Cristiano Korth (1881-1946) , natural da freguesia da Caveira, concelho de Santa Cruz das Flores, era filho de Francisco de Freitas Coelho (agricultor) e de Leocádia Vitorino Korth (doméstica).

Em 1896, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo, onde se distinguiu com brilhantismo, tendo merecido o respeito e a admiração dos seus colegas e professores. Em 1905, concluiu o seu curso e, pela festa em honra do Senhor Bom Jesus, da sua freguesia natal, proferiu o seu primeiro sermão, bastante apreciado por todos os fiéis presentes.

Na Igreja dessa localidade, a 28 de Janeiro do ano seguinte, celebrou a sua Missa Nova, em solene Festa Eucarística, na presença de familiares e amigos.

Em 13 de Fevereiro de 1906, foi nomeado para o, então, curato da Fazenda, sendo o seu primeiro sacerdote, cuja Igreja havia sido concluída nesse mesmo ano. Aí, depois da cerimónia da bênção da respectiva Igreja, efectuada em 25 de Março pelo ouvidor das Lajes, Padre Filipe José Madruga, celebrou a Eucarística e foi o pregador, tendo-o feito de forma brinhante e arrebatadora. Aqui se manteria o resto da sua vida, cumprindo com invulgar capacidade e competência, as exigências sacerdotais do seu múnus espiritual, falecendo, inesperadamente, em 16 de Janeiro de 1946, depois de uma carreira modelar.

Sempre preocupado em conquistar as boas graças da Igreja Católica, o Padre Korth, após a revolução do Estado Novo, assumiu em 1929, o cargo de Administrador do Concelho de Lajes das Flores, lugar que ocupou por vários vezes e que terá desempenhado com isenção e justiça.

Era um excelente orador, considerado um dos melhores e prestimosos pregadores da Diocese, fazendo-o com a visada prudência, actualização constante e irrepreensível exigência, seguindo sempre com rigor a doutrina e as orientações hierárquicas da Igreja. Era um excelente mestre no português e no latim. Dotado de grande personalidade e talento, quer pela sua cultura, quer pelo seu porte, bem como pelo respeito sacerdotal com que era tido por todos os que com ele lidavam.

Vestia com rigor e com rigor se mantinha sempre sem se envolver demasiado, respeitando todos para assim também ser respeitado e admirado por aqueles que com ele conviviam, quer fossem colegas, ou superiores hierárquicos, quer fossem simples paroquianos ou amigos.

Assim, mantinha afável e instrutiva conversa com as populações, sem com elas geralmente se sentar nos locais habituais de convívio, conservando-se de certo modo distanciado, possivelmente para que as suas palavras e os seus conselhos tivessem o máximo efeito. Era ainda um excelente e credível conselheiro dos seus paroquianos e amigos e, muito especialmente, de todos os que para esse efeito o procuravam.

O Padre José Maria Álvares (1914-1999) , nascido em 26 de Julho, no lugar da Fazenda, concelho de Santa Cruz das Flores, era filho de António Maria Álvares (agricultor) e de Maria da Conceição Álvares (doméstica).

Com apenas 13 anos de idade, em Outubro de 1927, ingressou no Seminário de Angra, onde gozou de simpatia e estima por parte de colegas e professores, sobretudo, devido ao seu modo de ser folgazão e à lealdade que a todos transmitia.

Depois de ordenado presbítero na Sé Catedral de Angra do Heroísmo, em 20 de Junho de 1937, celebrou a sua Missa Nova na Igreja da sua terra natal, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. Aqui permaneceu até 29 de Junho de 1938, data em que foi colocado na freguesia da Fazenda, concelho de Lajes das Flores, para aí substituir, temporariamente, o Padre Francisco Cristiano Korth, na época, fora do País.

Em Maio de 1940, foi transferido para a freguesia de Cedros, do concelho de Santa Cruz, onde se manteve durante cerca de 36 anos. Como todas as revoluções fazem vítimas, o 25 de Abril de 74 fez com que o Padre José Maria Álvares se exilasse, dois anos volvidos, em Newmark, na Califórnia. Efectivamente, o mau ambiente que então lhe foi criado, por vezes, por pessoas que havia considerado como suas amigas, desgostaram-no e entristeceram-no de tal forma que influenciaram o seu desejo de deixar o País, sobretudo a sua ilha das Flores.

É certo que essa situação se fez sentir numa altura em que, já cansado e doente, por causa do trabalho e do isolamento sentido durante muitos anos na freguesia de Cedros, recusou as hipóteses de transferência que a hierarquia lhe oferecera durante as décadas de 60 e 70.

Quando jovem, sempre demonstrou elevada inteligência, lealdade, honestidade e bondade, características que o distinguiram enquanto se manteve no exercício público da sua vida sacerdotal. Bonacheirão por natureza, sempre irradiou simpatia e humildade, sem sustentar rancores ou ressentimentos. Era prestável e caridoso, sempre pronto a ajudar todos os que dele careciam.

O seu falecimento ocorreu a 4 de Agosto de 1999, na cidade de Newmark, onde vivia na companhia de duas das suas irmãs e da sobrinha, criada como filha.

O Cónego José Gonçalves Gomes (1926) , nascido em 8 de Setembro, na freguesia e concelho das Lajes, é filho de José Francisco Gomes (agricultor) e de Luísa Gonçalves Gomes (doméstica).

Em 2 de Outubro de 1940, matriculou-se no Seminário de Angra do Heroísmo, onde tirou o seu curso de sacerdote. Em 1 de Junho de 1952, era ordenado presbítero na Sé Catedral de Angra e, no dia 22 do mês seguinte, celebrou a sua Missa Nova, na Matriz da sua terra natal.

Foi nomeado vigário cooperador da paróquia da Matriz de Santa Cruz das Flores, onde tomou posse em 19 de Março de 1953. Para além do serviço sacerdotal, este padre empreendedor, nesta Freguesia, integrou ainda o grupo de professores que, em 3 de Outubro de 1959, criou o Colégio ou Externato da Imaculada Conceição (hoje, Escola Padre Maurício António de Freitas).

Em 8 de Outubro de 1960, foi nomeado pároco da freguesia de Fajã Grande das Flores, assumindo também o serviço sacerdotal do lugar da Ponta da Fajã. Aí se manteve até 10 de Junho de 1965, data em que foi colocado na paróquia da Fazenda das Lajes, na mesma Ilha. Para além do seu serviço enquanto pároco, interessou-se e colaborou ainda na recuperação e legalização da Filarmónica União Portuguesa da Califórnia , desta Freguesia quando, em 9 de Junho de 1971, obteve a aprovação dos seus estatutos, onde entrou como sócio fundador.

Em 27 de Outubro de 1974, assumiu as funções de pároco da freguesia dos Biscoitos e das Quatro Ribeiras, da ouvidoria da Praia da Vitória; e, em 11 de Setembro de 1978, foi nomeado para a paróquia de São Bartolomeu. Assim, durante cerca de seis anos, desempenhou com competência e dignidade as funções de Ouvidor. Simultaneamente, em 5 de Maio de 1984, passou a ser Pároco Consultor da Diocese. Durante seis anos, exerceu ainda o cargo de Presidente da Direcção da irmandade de São Pedro ad vincula.

Em 27 de Março de 1991, foi nomeado Cónego do Cabido da Sé de Angra, como corolário da sua competência e da sua dedicação às actividades que profissionalmente tem exercido, não obstante estas serem, por vezes, afectadas por algumas crises de saúde. Em 30 de Abril do mesmo ano, foi nomeado ainda Chanceler da Cúria Diocesana.

Dedicado e trabalhador, cumpre com rigor as orientações da hierarquia, ao mesmo tempo que procura manter-se actualizado relativamente às inovações da Igreja Católica. Devido ao seu feitio delicado e simples, mantém sempre um excelente relacionamento de convívio e amizade com as populações das localidades por onde tem passado, o qual poderá, eventualmente, ter sido prejudicado em virtude do seu precário estado de saúde. Possuidor de uma forte personalidade, sustenta ao mesmo tempo, um fino trato social, que lhe permite um relacionamento fácil e amistoso.

O Padre Guilherme António Pimentel (1929) , nascido a 23 de Abril na freguesia e concelho de Lajes das Flores, é filho de Francisco José Pimentel (carpinteiro e agricultura) e de Maria do Rosário da Ascenção Pimentel (doméstica).

Em Outubro de 1942, ingressou no Seminário de Angra, tendo sido ordenado sacerdote na Sé Catedral em 30 de Maio de 1954. Celebrou a sua Missa Nova na Igreja Matriz de Lajes das Flores, em 4 de Julho desse ano.

Começou a sua vida sacerdotal, trabalhando como vigário cooperador na ilha do Corvo, onde foi colocado em 9 de Outubro do mesmo ano. Dois anos depois, foi nomeado pároco da Calheta de Nesquim (concelho de Lajes do Pico), onde permaneceu durante cerca de dois anos. Em 4 de Setembro de 1958, tomava então posse da paróquia de Santa Bárbara das Ribeiras, do mesmo concelho do Pico, onde se manteve até ser nomeado pároco e ouvidor de Santa Cruz da Graciosa, onde tomou posse em 18 de Outubro de 1969.

Por motivo de doença, passou para a cidade da Horta, onde durante dois anos (1973 e 1974), para além de diversa colaboração sacerdotal prestadas às paróquias da ilha do Faial, leccionou ainda Religião e Moral no Liceu Nacional da Horta e na Escola Técnica. Como estava já com a saúde bastante recuperada, em 10 de Outubro de 1974, foi nomeado pároco das freguesias da Fazenda, onde fixou residência, e da Lomba, ambas do concelho de Lajes das Flores.

Para suprir as carências de padres da Ilha, a partir de 12 de Maio de 1983, viria a assegurar também o serviço sacerdotal das paróquias do Lajedo e do Mosteiro (Lajes das Flores), continuando a ter a seu cargo o serviço das paróquias da Fazenda e da Lomba. Em 26 de Novembro de 1989, foi nomeado Ouvidor Eclesiástico do concelho de Lajes das Flores, cargo que exerceu com dedicação e competência até 15 de Dezembro de 1992.

Entretanto, em 30 de Junho de 1990, foi-lhe emitida Provisão para paroquiar apenas nas freguesias da Fazenda, Lajedo e Mosteiro. Contudo, na sequência da morte do Padre António Joaquim Inácio de Freitas, em 18 de Junho do ano seguinte, passou a ter também a seu cargo a paróquia da Fajãzinha.

Eficiente orientador de empreendimentos, o Padre Pimentel é também um excelente executor de marcenaria, quer de obras naturais, quer de miniaturas. Destacam-se as reparações e beneficiações que levou a efeito em diversas igrejas por onde passou, designadamente, Santa Barbara das Ribeiras, na ilha do Pico, na Fazenda e no Mosteiro, na ilha das Flores.

Não obstante o seu feitio reservado e esquivo, por onde passou, deixou sempre muitas amizades, pela forma simpática, humilde e delicada como exerce a sua actividade sacerdotal e cultiva o seu relacionamento pessoal. O mesmo se poderá dizer do exercício das aulas que ministrou, no qual sempre procurou a diversidade das matérias que anticipadamente planificava para o efeito.

Para além de ter proferido conferências sobre diversos temas, nomeadamente durante as Festas do Emigrante, é um profano estudioso da história social da ilha das Flores, tendo publicado sobre o assunto, os seguintes trabalhos de investigação, na Revista Municipal de Lajes das Flores: "Romarias e Romeiros" (1995), "Livro dos Sinais do Concelho das Lajes das Flores" (1997) e "Como os Pais Legam aos Filhos Tempo de Legar à História" (1997).

Padres que nasceram e paroquiaram na freguesia da Fazenda:
O Padre Francisco Pimentel de Sousa (1911-1982) , natural de Fazenda, era filho de António Furtado de Sousa (agricultor) e de Maria Pimentel de Sousa (doméstica).

Ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo, em Outubro de 1925, quando tinha 14 anos de idade, onde se revelou um aluno dedicado e bem relacionado com colegas e professores. Recebeu a ordem de presbítero em 23 de Junho de 1935, na Igreja da Sé de Angra do Heroísmo, e celebrou a sua Missa Nova, em 1 de Julho seguinte, na Igreja de Santo Cristo dos Milagres da freguesia da Fazenda, em ambiente solene e festivo. Aqui viria a permanecer durante cerca de um ano, onde era conhecido por «Padre Laranjeira», alcunha herdada de família.

Em 1936, foi colocado na freguesia da Candelária, concelho da Madalena, ilha do Pico, onde se manteve durante dois anos; e, em 1938, foi transferido para a paróquia de Ribeira Seca, concelho da Calheta, da ilha de São Jorge, onde também permaneceu cerca de dois anos.

Regressou à ilha do Pico, em 19 de Janeiro de 1941, sendo então transferido para a freguesia de Calheta do Nesquim, onde se manteve durante cinco anos. Depois de ter recusado a sua nomeação para a freguesia da Ribeirinha, concelho de Angra do Heroísmo, e de ter decorrido um processo com decisão proferida pela Santa Sé, deixou de exercer o sacerdócio, incompatibilizando-se assim com a hierarquia.

Durante aproximadamente quatro anos, manteve esta situação e, para se sentir útil, exerceu as funções de Professor de Instrução Primária, na freguesia da Piedade, e desempenhou igualmente o cargo de Presidente da Câmara Municipal do concelho de Lajes do Pico. No exercício destas funções suplementares, foi considerado muito atencioso e simpático para com a população, apesar de algumas antipatias resultantes dos boatos que provocaram a sua transferência imposta pela Diocese.

Em 1953, foi colocado na Casa de Saúde de São Rafael, em Angra do Heroísmo, onde desempenhou as funções de Capelão durante quase dois anos. No ano seguinte, exerceu também as funções de sacerdote no curato do lugar da Casa da Ribeira, concelho de Vila da Praia da Vitória, onde se manteve o resto da vida, concluíndo, assim, uma actividade sacerdotal dedicada e competente.

Mantinha uma excelente relacionamento com os seus paroquianos, pelo que recebia deles muitas ajudas e outros gestos de simpatia, e gozava de um bom ambiente social. Empenhava-se muito no brilhantismo e na solenidade das festas religiosas da Paróquia, bem como na formação da juventude da localidade. Como se tratava de um excelente orador, foi sempre muito solicitado para proferir sermões e integrar conferências, para os quais se preparava com muito cuidado e atenção. Era dotado, ainda, de conversa fácil e agradável, evidenciando uma disponibilidade simpática e aprazível para todos os que a ele recorriam ou com ele conviviam, destoando da impressão austera que de início aparentava, quando era abordado por alguém. Faleceu a 18 de Março de 1982.

O Padre Luís Pimentel Gomes (1914-1986) , natural desta Freguesia, era filho de Francisco Pimentel Gomes (agricultor) e de Maria do Livramento Gomes (doméstica).

Quando tinha 14 anos, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo, onde manifestou ser bom aluno. Não obstante a sua clara timidez e o seu feitio introvertido, tinha para com os seus colegas e professores, um excelente relacionamento.

Foi ordenado sacerdote, em 11 de Junho de 1939, na Sé Catedral de Angra, e realizou a sua Missa Nova, em 16 de Julho, na Matriz da sua terra natal.

Em Janeiro de 1940, foi nomeado vigário da Fajã dos Vimes, concelho de Calheta de São Jorge, onde se manteve até 1942, ano em que foi transferido para a paróquia de Ribeira Seca, do mesmo Concelho. Aí desenvolveu uma intensa e brilhante actividade sacerdotal, expandindo a diversidade activa da sua juventude e das suas convicções religiosas, durante um período de cinco anos.

Com o falecimento do Padre Francisco Cristiano Korth, em 1946, da paróquia de Fazenda; e do Padre José Francisco Soares, no ano seguinte, da paróquia de Lajes das Flores; o Padre Luís Gomes foi transferido para aquela Freguesia, em 25 de Dezembro de 1947, assumindo também o cargo de ouvidor do Concelho.

No mês de Novembro de 1949, foi colocado na vila de Lajes das Flores, onde se manteve até 22 de Janeiro de 1986, data em que ocorreu o seu falecimento.

Por onde passou, realizou sempre uma boa actividade sacerdotal que, contudo, com o decorrer dos anos, se foi esvaindo por diversas razões. Nestas terão estado um certo interesse material que o terá sensibilizado nesse sentido, talvez originado pelas poucas receitas paroquiais, sobretudo a partir da década de 60, bem como pelo agravamento do seu estado de saúde e do seu precoce envelhecimento.

Devido ao seu feitio reservado, certamente agravado pela doença que desde cedo o começou a atormentar, nos últimos anos da sua vida, já não gozava da popularidade e simpatia que tinha anteriormente. Era, contudo, bastante culto e conhecedor dos diversos temas das actividades em que se envolvia, já que, para além de possuir uma base cultural muito boa, preparava-se convenientemente para as enfrentar com zelo e competência.

O Padre José Vieira Gomes (1915-1989), nascido nesta Freguesia a 13 de Março, era irmão do Padre Fernando Vieira Gomes. Em Outubro de 1929, ingressou no Seminário de Angra onde se revelou um aluno aplicado e disciplinado.

Foi ordenado sacerdote na Sé de Angra, em 11 de Junho de 1939, tendo celebrado a sua Missa Nova na Matriz da sua terra natal, em 9 de Junho desse mesmo ano.

Em 10 de Janeiro de 1940, deu início à sua vida sacerdotal na pequena ilha do Corvo, onde permaneceu até Novembro de 1942, data em que foi transferido para a freguesia de Ponta Delgada (concelho de Santa Cruz das Flores), onde se manteve durante cerca de sete anos.

A 28 de Novembro de 1949, viria a ser colocado na sua Freguesia natal que, na época, ainda funcionava como curato. A seu pedido, viria ser transferido, em 30 de Junho de 1965, para a paróquia de Santa Clara, na ilha de São Miguel, onde se manteve como vigário-cooperador.

Em 8 de Outubro de 1973, foi nomeado pároco da freguesia de Vila Nova (Vila da Praia da Vitoria) e, em 6 de Fevereiro de 1978, paroquiava a freguesia de Santo Amaro do concelho de Velas (São Jorge).

Em 3 de Julho de 1986, era colocado novamento na ilha das Flores, mas desta vez, na paróquia da vila das Lajes, função que acumulou com o serviço religioso da freguesia da Lomba.

Fazia transparecer uma grande satisfação quando se encontrava com muitos dos seus antigos paroquianos e amigos, parecendo gozar de uma excelente saúde para a sua idade, dando um aspecto jovial e alimentando sempre ideias para a realização de projectos na sua nova paróquia.

Num curto espaço de tempo, a sua morte ocorreu a 17 de Janeiro de 1989, surpreendendo todos os que conheciam o seu dinamismo e a normalidade da sua vida sacerdotal em Lajes das Flores, onde demonstrava jovialidade nas acções que conseguia desenvolver. Era ainda um grande conhecedor da arte musical e um praticante da caridade. Por onde passou, deixou sempre marcas de caridade e de generosidade que definiam a sua bondade, não obstante a forma humilde como vivia.

O Padre Fernando Vieira Gomes (1922) , nascido a 8 de Dezembro, na freguesia da Fazenda, é filho de José Pereira Gomes (agricultor) e de Maria da Conceição Vieira Gomes (doméstica).

Entrou para o Seminário de Angra, em Outubro de 1938, onde revelou ser um aluno aplicado e disciplinado. Em 12 de Junho de 1949, foi ordenado sacerdote, pelo Bispo D. Guilherme Augusto da Cunha Guimarães, na Sé Catedral de Angra do Heroísmo. Celebrou a sua Missa Nova em Julho desse mesmo ano, na Matriz da sua terra natal.

Em 8 de Dezembro, foi colocado como vigário cooperador no curato de Santa Clara. Graças ao seu empenhamento em face do crescente aumento da sua população e a outras condições indispensáveis para o efeito, Santa Clara viria a ser elevada a Paróquia, conforme decisão de 8 de Maio de 1957, do Bispo D. Manuel Afonso de Carvalho.

Dedicado à sua actividade sacerdotal, altamente trabalhosa e difícil de executar, em face da dimensão da Paróquia (4.000 habitantes) nunca lhe sobrou muito tempo para actividades secundárias, nem disposição para aceitar as mudanças de Paróquia que lhe foram oferecidas.

Assim, sempre se manteve na freguesia de Santa Clara, nela se realizando profissionalmente, com dedicação e competência, como o reconheceram vários dos seus paroquianos.

Em 10 de Julho de 1999, na freguesia da Fazenda de Lajes das Flores, sua terra berço, comemorou as suas Bodas de Ouro Sacerdotais. Sempre muito dedicado e humilde, cultivou e mantém ainda óptimas amizades na ilha de São Miguel, quer na sua paróquia, onde é respeitado e admirado, quer noutras localidades, graças ao seu feitio aberto e comunicativo.

É um observador atento das actualidades noticiosas, mantendo com os seus amigos um excelente diálogo sobre as mesmas, tanto mais que é um excelente conversador, sempre simpático na forma clara e preciosa como aborda os diversos temas em análise.

O Padre José Alves Trigueiro (1935) , nascido em 18 de Abril, na freguesia da Fazenda (Lajes das Flores), é filho de João de Freitas Trigueiro (falecido quando ele ainda era criança) e de Vitória Martins Alves Trigueiro (proprietária de uma pequena exploração agropecuária).

Em Outubro de 1947, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo, onde se distinguiu como um aluno dedicado e disciplinado. Completou os estudos em Maio de 1959 e, em 7 de Julho, foi ordenado presbítero na Sé Catedral de Angra. Em 19 de Julho do mesmo ano, viria a celebrar a sua Missa Nova, na Matriz da Fazenda.

Em Outubro desse ano, voltou a Angra, onde frequentou um curso de Pós-Seminário, sob a orientação do Vigário Geral da Diocese, Monsenhor José Pereira da Silva. Seguidamente, em 17 de Novembro, foi nomeado Prefeito de São Luís Gonzaga e professor do Seminário na disciplina de História Universal, cargos que exerceu com eficiência durante um ano.

Em Agosto de 1960, foi colocado como vigário cooperador de Santa Cruz das Flores, onde fixou residência, em 29 do mês seguinte, na casa onde viveu o grande poeta Roberto de Mesquita. Aí funcionava também o Externato da Imaculada Conceição, no qual, durante oito anos, foi professor de diversas disciplinas. Durante seis anos, foi também Director desse Externato (1962-1968).

Foi transferido para a cidade da Horta onde, em Novembro de 1968, foi colocado como Capelão de São Francisco e professor de Religião e Moral, no Liceu Nacional da Horta e na, então recém-criada, Escola Preparatória da Horta.

Em 1 de Outubro de 1969, fez a sua entrada solene na Igreja da paróquia de Santa Bárbara das Ribeiras (Lajes do Pico), onde permaneceu como pároco durante vários anos, serviço que, durante algum tempo, desempenhou também na freguesia da Calheta de Nesquim. Em 3 de Novembro de 1976, passou a acumular oficialmente o serviço sacerdotal da Matriz de Lajes do Pico, onde substituiu o padre António Cardoso, realizando ainda igual serviço no lugar das Terras dessa mesma Vila.

Transferido para a ilha Terceira, em 2 de Setembro de 1979, tomou posse do cargo de pároco das freguesias dos Biscoitos e das Quatro Ribeiras, (ambas do concelho de Angra do Heroísmo).

Por Provisão de 23 de Julho de 1991, viria a ser nomeado pároco das paróquias dos Altares e do Raminho, fixando então residência no Passal dos Altares, onde ainda se mantém.

Entretanto, de 1979 a 1983, foi professor da Escola Preparatória da Vila da Praia da Vitória, onde leccionou a disciplina de Moral. A partir de 1983, passou a exercer as mesmas funções na recém-criada Escola Preparatória dos Biscoitos, onde se aposentou em 1996.

Possui uma excelente cultura obtida sobretudo através do estudo, da experiência e das muitas viagens que fez, beneficiada e actualizada sempre com a sua constante ânsia de saber. Por todos esses motivos, é um observador atento das actualidades noticiosas, as quais acompanha e comenta interessadamente com os seus familiares e amigos.

Para além de outros fazendenses, destinguiram-se ainda José de Freitas Pimentel e António de Freitas Pimentel, cujos descendentes doaram a esta Junta de Freguesia a casa onde os mesmos nasceram, na qual se encontra instalada a Casa do Artesanato.

Outros nomes importantes:
O Dr. José de Freitas Pimentel (1894-1920) , médico e mártir do dever, nascido a 15 de Fevereiro, era filho de António de Freitas Pimentel e de Maria do Rosário Trigueiro Pimentel.

"Licenciou-se em medicina, pela Universidade de Medicina de Lisboa em 1917. Segundo escreveu Marcelino Lima no Jornal « Democracia », de Janeiro de 1920, em nove anos cursou e formou-se em medicina. Depois de exercer medicina na vila do Cadaval e na vila de Lajes das Flores, em 1919 foi professor da Escola Primária Superior da cidade da Horta, onde igualmente exercia medicina.

Para debelar o surto de «Peste Pneumónica» surgido em Dezembro de 1919 na Madalena do Pico, onde os serviços de saúde do distrito se haviam desinteressado do problema , deslocou-se a essa vila tendo com as autoridades locais isolado a perigosa doença, que dela viria a ser vitima mortal. Falecera com apenas 25 anos de idade, em 1 de Janeiro de 1920.

A sua coragem e obnegação impressionaram todos os que souberam da sua acção. Os jornais do distrito da Horta dedicaram-lhe as suas primeiras páginas e a Câmara Municipal da Madalena prestou-lhe justa homenagem, atribuindo o seu nome a uma rua da Vila e colocando uma fotografia sua no salão nobre do Concelho.

Os seus amigos homenagearam-no com um jazigo construído em mármore no Cemitério da Madalena com a seguinte e significativa inscrição: « DR. JOSÉ DE FREITAS PIMENTEL, POBRE DE BENS, RICO DE TALENTO, MÁRTIR DO DEVER, FALECEU EM 1/1/1920. MARIA DA GLÓRIA DUARTE, SUA DESVELADA ENFERMEIRA, EXEMPLO DE ALTRUÍSMO, VÍTIMA DA SUA ABNEGAÇÃO, FALECIDA EM 8/1/1920. TRIBUTO DA SUA ADMIRAÇÃO PELA FORMA HERÓICA COMO SOUBERAM MORRER NO COMBATE À EPIDEMIA EM 1920. OS SEUS AMIGOS DO FAIAL, FLORES E PICO». " (José Arlindo A. Trigueiro, Horta, 14 de Junho de 1999)

O Dr. António de Freitas Pimentel (1901-1981) , médico e político, nascido a 15 de Maio, era filho de António de Freitas Pimentel e de Maria do Rosário Trigueiro Pimentel.

«Depois de passar pelos Liceus da Horta e de Angra do Heroísmo, ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se licenciou em 1929. Em 1930, casou-se com Dr.ª Maria Francisca Paes Dias Freitas Pimentel, tendo o casal fixado residência na cidade da Horta, onde viveu o resto da sua vida.

Aí, para além de profissionalmente ter exercido medicina desenvolveu uma intensa acção de natureza política. Depois de ter militado na oposição com Manuel José da Silva e outros faielenses, foi nomeado em 7 de Agosto de 1935, Vice-Governador Civil do distrito. Em 28 de Novembro de 1945 foi nomeado Presidente da Câmara Municipal da Horta cargo que desempenhou com grande dinamismo e competência. Por esse motivo, foi nomeado Governador Civil do Distrito da Horta em 30 de Junho de 1953, cargo que exerceu com elevada capacidade política durante 18 anos. Em 1973, foi eleito Deputado pelo Circulo Eleitoral da Horta Assembleia Nacional, cargo que exerceu até 25 de Abril de 1974.

Dos muitos empreendimentos que levou a efeito no desenvolvimento das populações do Distrito da Horta, para além dos vistos de emigração que conseguiu por ocasião do vulcão dos Capelinhos de 1957, destacam-se as seguintes grandes obras:
- a construção do Aeroporto da Horta, da Avenida Marginal da Horta, do Aeroporto das Flores, do Hospital das Flores, da Central Hidroeléctrica das Flores e respectiva rede de distribuição;
- a ampliação das redes de estradas e de águas das ilhas do Faial, Pico, Flores, e Corvo.
Faleceu em 14 de Abril de 1981»."

(José Arlindo A. Trigueiro, Horta, 14 de Junho de 1999)

Desenvolvimento e Turismo

POPULAÇÃO

Divisão Etária:
Criança e Adolescentes: 23.02%
Adultos e Idosos: 76.98%

Número de Residentes: Cerca de 278 habitantes.
Número de Eleitores Recenseados: 239 eleitores. Dados reportados ao Referendo Nacional de 11 de Fevereiro de 2007.

Em busca de melhores condições de vida, parte da população activa emigrou para diferentes países europeus e americanos. Porém, como não esquecem a sua terra natal, visitam-na todos os anos e, quando regressam definitivamente, investem em diversificadas áreas da Freguesia.

DESENVOLVIMENTO E TURISMO

Sectores Económicos
Uma vez que, desde a sua génese, Fazenda foi caracterizada pela excelência das suas terras, não admira que parte considerável da sua população se ocupe ainda em actividades do sector primário, como a agricultura e a pecuária. Contudo, perante os novos desafios que a sociedade actual nos apresenta, actividades dos sectores secundário e terciário complementam, hoje, a economia desta Freguesia açoriana.

Em termos de estruturas económicas, não se pode deixar de salientar o trabalho desempenhado pela União de Cooperativas das Flores que, criada nas últimas décadas do século XX, nasceu de necessidade de garantir a qualidade da produção de lacticínios da ilha das Flores.

A Fazenda, uma das melhores produtores de leite, iniciou o seu cooperativismo, em 4 de Abril de 1919, com a lavra da escritura de constituiu da "Fructuária de Produção de Lacticínios da Freguesia do Senhor Santo Cristo dos Milagres da Fazenda" , mais tarde, "Cooperativa Agrícola Fructuária de Produção de Lacticínios Senhor Santo Cristo" na presença do criador deste movimento na Ilha, o ilustre florentino Padre José Furtado Mota.

Em 1950, por escritura de 29 de Novembro, foram elaborados novos estatutos, e a cooperativa passou a designar-se por "Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Senhor Santo Cristo, SCARL" , cuja direcção era constituída por Fernando Pereira Gomes, Francisco de Freitas Silva e Fernando Gomes Trigueiro.

Mais tarde, em 1968, a cooperativa adaptou o seu equipamento e empregou a maior parte do seu leite no fabrico de queijo tipo "São Jorge" , reduzindo aos mínimos a produção de manteiga (conhecida como milagrosa por ser de "natas iguais" , isto é, produzida num único posto de desnatação, no sítio da Ribeirinha). Foi uma mudança de produção pioneira, visto que as restantes cooperativas só o passariam a produzir alguns anos depois. Contudo, como os progressos nos equipamentos para o fabrico de lacticínios se apresentam contínuos e o mercado, por conseguinte, se encontra em constante transformação, só uma acentuada concentração industrial consegue acompanhar a evolução e realizar os investimentos necessários, para fabricar o queijo com os novos padrões de qualidade. Assim, para assegurar a crescente produção de lacticínios das Flores, a pequena cooperativa agrícola da Fazenda, juntamente com as suas irmãs de outras freguesias florentinas, fundaram a União de Cooperativas da Ilha das Flores.

Na década de 40 do século passado, também funcionou, nesta Freguesia, uma empresa baleeira pertencente a Francisco Nunes Azevedo. Meios de Acolhimento: Para melhor receber os visitantes e curiosos turistas, esta Freguesia dispõe de dois restaurantes, quatro bares e uma pensão familiar.

Desporto, Cultura e Lazer
Dado que é o associativismo que mais contribui para o desenvolvimento da Freguesia desigualmente através da dinamização de área como o desporto e a cultura, Fazenda conta com o apoio e o trabalho de algumas colectividades, entre as quais se destacam:

  • o Grupo Desportivo Fazendense que, tendo surgido na década de 50, por altura da inauguração do seu campo de futebol, trajava um equipamento composto por camisa com riscas transversais em azul claro e calção azul escuro. O emblema tinha desenhada uma bola e as iniciais G. D. F. – Grupo Desportivo Fazendense.
    Desde cedo, o desporto rei começou a ser praticado na ilha das Flores, no campo das Lajes, freguesia próxima da Fazenda. No entanto, a partir do momento que esse campo foi adquirido pelo Estado para aí se instalar a Rádio Naval, Fazenda tratou logo de arranjar uma estrutura própria para assim prosseguir com as suas ambições desportivas. O campo da Fazenda veio a ser inaugurado em Agosto de 1950, com um jogo entre o Grupo Desportivo Fazendense e o Sporting de Santa Cruz das Flores e, desde então, todas as partidas de futebol da Ilha passaram a ter o seu palco nesta Freguesia.
    Na sequência da inauguração da Rádio Naval das Flores, na Vila das Lajes, e da organização de uma equipa de futebol composta por marinheiros que aqui se encontravam instalados, entre 1953 e 1954, a equipa Fazendense foi reorganizada. A equipa passou a utilizar o equipamento preto da Académica de Coimbra e a designação de "Futebol Clube Fazendense".
    A pesar de alguns períodos de suspensão, a equipa manteve-se sempre em actividade, embora não contasse com nenhuma organização distrital da FNAT e, posteriormente, entrou para o futebol federado, contando sempre com boas exibições desportivas e com muitos trofeus, para gáudio da sua massa associativa.
  • a Sociedade Filarmónica União Portuguesa da Califórnia nasceu na década de 30, com o nome de "Colónia Portuguesa da Califórnia" . A criação desta Banda surgiu na sequência da aquisição de instrumentos para a orquestra do grupo coral masculino da igreja da Fazenda das Lajes, cujos custos foram totalmente suportados por uma benemérita fazendense emigrada em Santa Maria da Califórnia, Maria Alves Estácio.
    Com a intenção de se fundar uma Banda Filarmónica na Freguesia, surgiu então uma comissão de angariação de fundos, constituída, na época, por Francisco de Freitas Silva, José Gomes Trigueiro (que se tornou regente da nova Filarmónica) e Francisco Coelho Gomes. Para isso, foi aberta uma subscrição de donativos no jornal "União Portuguesa" que se publicava na Califórnia, de que era proprietário e director o fazendense Manuel de Freitas Martins Trigueiro; e uma conta credora de um dia de leite como donativo para aquela Filarmónica, na Cooperativa de Lacticínios da Fazenda.
    Deste modo, com o esforço de emigrantes e agricultores, tornou-se possível a criação de uma escola de música para jovens e da tão querida e esperada Filarmónica que se estreou no dia 9 de Abril de 1939, quando da tradicional e solene procissão do Senhor dos Enfermos. A sua primeira deslocação foi feita à freguesia da Fajã Grande, em 7 e 8 de Setembro desse mesmo ano, onde, além de abrilhantarem a festa de Nossa Senhora da Saúde, estiveram também presentes na inauguração do campo de futebol do Fajã Grande Sport Club.
    O actual nome desta Banda deve ter surgido durante a década de 60, quando a Filarmónica se inscreveu na Junta Geral do Distrito da Horta, passando a receber um subsídio para a sua escola de música. Esse nome viria a ser legalmente assumido alguns anos depois, através da escrita lavrada no Cartório Notarial de Lajes das Flores, em 9 de Junho de 1971. Esta foi, a partir de então, a primeira Filarmónica florentina a possuir estatutos devidamente legalizados.
    Com o passar dos anos, face à necessidade de uma melhor apresentação em termos de indumentária, esta Filarmónica adquiriu o seu fardamento, constituído por fato e boné azul escuro e camisa em azul claro.
    Tal como sucedeu com todas as colectividades, a Sociedade Filarmónica União Portuguesa da Califórnia passou por algumas vicissitudes, como a redução do número de elementos, provocada pela emigração, chegando mesmo a suspender a sua actividade nos primeiros anos da década de 90.

Acção Social
Não descurando esta importante área de acção, esta Freguesia tem, ao dispor dos seus habitantes, serviço de enfermagem, a funcionar uma vez por semana.

Ensino
No âmbito da Educação, esta Freguesia mune-se de algumas infraestruturas, como Escola Básica Integrada/Jardim de Infância, com Ludoteca.

GUIA TURÍSTICO
É indiscutível que os Açores possuem algumas das paisagens naturais mais belas de toda a Europa. Fazenda, neste campo específico, não constitui excepção, orgulhando-se, por exemplo, da moldura verdejante que enquadra o Miradouro da Caldeira (de onde se a vista o porto das Lajes) e os Percursos Pedestres.
Do seu património edificado, por outro lado, não se pode deixar de referir:

  • a Igreja Paroquial que, dedicada ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, é um dos mais belos templos das Flores. Amplo, embora de um só corpo, tem altar-mor de rara graciosidade, com talha, quer dourada, quer imitando mármore.
    Datada de 1 de Agosto de 1896, a bênção da primeira pedra da Igreja, a cuja Cerimónia presidiu o Bispo de Angra, D. Francisco Brito, que se encontrava em visita pastoral à ilha das Flores.
    O empreendimento foi construído em terrenos comprados a Maria do Rosário Vieira. O corpo da Igreja começou a ser construído em 1897 e ficou concluído em 1901, enquanto que a capela-mor, apenas foi dada por terminada três anos depois. Foi mestre desta obra, João Jacinto Teixeira, sob a orientação do vigário da Matriz de Santa Cruz, Monsenhor Henrique Augusto Ribeiro, um dos grandes apoiantes da edificação desta Igreja, tal como sucedeu com as que foram levantadas, por essa altura, nos lugares da Ponta e da Fazenda de Santa Cruz.
    O auto da visita e benção do novo templo, que os fazendenses haviam edificado com "o suor do rosto e donativos desta ilha e dos Estados Unidos da América" , realizou-se a 25 de Março de 1906, pelo ouvidor da vila de Lajes, o Padre Filipe José Madruga. À benção da Igreja, seguiu-se, depois, a celebração da primeira missa, pelo padre Francisco Cristiano Korth. Os retábulos da Igreja datam desse ano e devem-se ao artista faialense Manuel Augusto Ferreira da Silva.
    A construção da sacristia norte datada de 1967 e, nos anos de 1972 e 1973, sofreu várias obras de restauro e de beneficiação. Da sua imaginária, destaca-se a estátua do Bom Pastor, adquirida em 1912.
  • a Casa do Divino Espirito Santo que foi construída em 1868, sofreu obras de ampliação em 1991.
    Em termos históricos, é quase certo que as primeiras Casas do Espírito Santo, nas ilhas das Flores e do Corvo, tenham sido erguidas no século XVI. Seriam, então, pequenas construções cobertas de colmo, sem reboco exterior, de pavimento térreo e atapetado de juncos, como se usava fazer também nas igrejas, e que, com o decorrer dos tempos, foram sendo beneficiadas e reconstruídas.
  • o Monumento de Homenagem ao Dr. Freitas Pimentel , que foi inaugurado em 1963, no jardim fronteiriço à Igreja do Senhor Santo Cristo dos Milagres, também dedicado a esta personalidade. Natural desta Freguesia, o Dr. Freitas Pimentel ocupou, durante vários anos, o cargo de governador do Distrito da Horta.
  • os Fontanários da Barreira , do Tabuleiro , da Fonte Chamorra , das Eiras , do Caminho de Baixo , da Eirinha Velha , da Ribeirinha e do Pico.
  • os Moinhos de Água.

Cultura

TRADIÇÕES

Festas e Romarias
As manifestações religioso-profanas são parte integrante da cultura etnográfica de cada região. Em Fajãzinha, para não se perder a identidade religiosa ancestral da sua população, realizam-se festas em honra do Divino Espírito Santo , sete dias após o domingo de Páscoa; e de Nossa Senhora dos Remédios , no último domingo de Agosto.
Para além destas festividades, são também muito concorridas a Festa da Filarmónica Nossa Senhora dos Remédios , que tem lugar no segundo fim-de-semana de Julho; e a Festa do Patrocínio , que ocorre durante o segundo domingo de Novembro.

GASTRONOMIA

Pratos Típicos
São iguarias da região, Sopa de Agrião de Água, Linguiça (tripa de porco enchida com carne e banha) com Inhames, Morcela (tripa de porco enchida com sangue, arroz e temperos) com Pão de Milho, Molhos de Dobrada e Queijo Caseiro.

Doces Regionais: Fazem parte da confeitaria da região, o Folar da Páscoa e as Filhós do Entrudo.

ARTESANATO

As peças de artesanato, cada vez mais apreciadas por naturais e estrangeiros, funcionam como cartão de visita de cada região, uma marca presente de um passado que tende a ser esquecido. Neste sentido, em Fajãzinha, permanecem vivas algumas artes antigas como a de confeccionar miniaturas em cedro (cadeiras de embalar e alfaias agrícolas, entre outras) ou tapetes em casca de milho.

No passado, a Fajãzinha celebrizou-se pelos seus vimes, que os artesãos entrançavam a formar valiosas peças de mobília e outras de alfaias ou para a agricultura.

João Gomes Corvelo, um artesão local que confecciona e vende artesanato diverso na sua própria casa sita no Largo do Rossio.

Documentos

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