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Portugueses trabalham cada vez mais dias para se libertarem de impostos

Sexta, 01 de Junho de 2012

Portugueses trabalham cada vez mais dias para se libertarem de impostos

Em 2000, o que os portugueses ganharam, em média, até 8 de maio foi para impostos. Dez anos depois, tiveram de trabalhar mais cinco dias para cumprir as obrigações fiscais, segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa.

O relatório Dia da Libertação de Impostos (DLI), feito pela Universidade Nova em parceria com a Associação Industrial Portuguesa (AIP), dá conta da evolução do número de dias que os portugueses têm de trabalhar para pagar as suas contribuições ao fisco.

Ao longo da década de 2000, o dia da libertação de impostos foi, por norma, na primeira metade do mês de maio e a tendência era para que os portugueses ficassem livres de impostos cada vez mais tarde.

Em 2003, os portugueses tiveram de trabalhar até 07 de maio para pagar os impostos e, em 2007, o dia da libertação de impostos só chegou a 19 de maio, 12 dias mais tarde.

No entanto, o DLI diminuiu seis dias em 2009 (12 de maio), o que significa que "a coleta de impostos e contribuições sociais registou uma diminuição mais acentuada que a do PIB nominal", lê-se no relatório. Também a redução da taxa normal do IVA de 21 para 20 por cento em meados de 2008 contribuiu para este resultado.

O professor António Pinto Barbosa, que coordenou o estudo, explicou à agência Lusa que foram considerados o Produto Interno Bruto (PIB), o universo dos trabalhadores portugueses e vários tipos de impostos: Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRS), Imposto de Valor Acrescentado (IVA) e ainda impostos sobre veículos e tabaco, entre outros.

A organização New Direction - Fundação para a Reforma Europeia, divulgou no final de maio um estudo sobre o DLI para os 27 países da União Europeia (UE). Segundo o relatório, Portugal fica livre de impostos no domingo, 03 de junho, estando entre os dez Estados que mais depressa se libertam das obrigações fiscais.

No entanto, Pinto Barbosa considera que "os dois estudos não são exatamente comparáveis", uma vez que assentam em critérios diferentes, explicando que o estudo que coordenou é "mais abrangente" do que o da Fundação para a Reforma Europeia.

"O nosso estudo considera o trabalhador português médio, o PIB e mais impostos. O estudo da organização europeia olha para o assalariado europeu médio, considera menos impostos - o IRS e o IVA - e as contribuições dos trabalhadores", afirmou.

Pinto Barbosa disse ainda que não foram feitos estes cálculos para os anos de 2011 e 2012, uma vez que se considerou que, devido às alterações estruturais em curso, "qualquer previsão seria muito pouco fiável".

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