Câmara Municipal das Lajes das Flores

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ServiçosMUSEU DO LAVRADOR

 

Construída nos inícios do século XX, por Francisco Caetano Vieira – abastado agricultor, reconhecido pela sua voluntariosa bondade em ajudar todos os que dele necessitavam, a Casa do Lavrador já era uma moradia familiar em 1908.
Emigrado para os Estados Unidos da América do Norte onde se ocupou do pastoreio de ovelhas no estado de Nevada , Francisco Caetano Vieira é o exemplo típico daqueles que por necessidade, um dia tiveram de partir e que depois com o “pé-de-meia” por lá granjeado, somado a um contínuo  trabalho árduo e arrojado, foram conseguindo, na sua terra, uma vida humilde mas farta.

Como podemos confirmar, a “Casa do Lavrador” é de arquitectura simples, em pedra basáltica revestida de barro e cal, e coberta de telha , importada do Continente ( de tão boa qualidade que ainda hoje subsiste) ,mantendo actualmente a sua volumetria inicial bem como todas as suas divisões, distribuídas por dois pisos, sendo o inferior, térreo, geralmente designado por “loja”, destinado a guardar as alfaias agrícolas e parte das colheitas, o “banco de carpina” e múltiplos utensílios que aí poderiam ser arrumados;  e o andar superior, servido por uma escada exterior, constituindo a habitação propriamente dita, neste  caso , de uma família numerosa, como geralmente costumavam ser todas as da época.

Pertencendo ao prédio, um “palheiro” também em pedra, servia de estábulo do gado vacum, fonte de rendimento e imprescindível  no amanho das terras, no transporte e na alimentação. O “estaleiro” para dependurar o milho, o “picadouro” para rachar a lenha e “estendedouro” para o coarar da roupa em lavagem , o tanque para armazenar a água das chuvas, o curral dos porcos , são elementos  externos  que complementam a casa típica do lavrador de outros tempos.

Descrevendo o espaço destinado á habitação, realça-se a cozinha com o seu forno de lenha original para a cozedura do pão - base da alimentação diária- e também um espaço destinado à higiene. A “lareira” onde assentavam as panelas de ferro fumegantes sobre o crepitar constante da “lenha” trazida dos matos, combustível único destinado à confecção das refeições diárias, era também o defumador natural que conservava as muitas e fartas “baralhas” de linguiça dos muitos porcos criados para a alimentação da família e para a festa dos dias da suas matanças.

Embora na cozinha por vezes se tomassem algumas refeições, as famílias numerosas e mais abastadas geralmente destinavam um espaço da casa para esse momento sagrado onde toda a família se reunia à volta da mesa – o quarto de jantar. Sobre essa mesa, ao serão por vezes se jogava às cartas e também nela se escreviam outras cartas, as das saudades para os que estavam longe. À volta dela também era costume rezar.
A sala destinada às visitas era um espaço quase inviolável,  no qual se penetrava em momentos apenas especiais –como as visitas do Espírito Santo por ocasião do “acerto da irmandade” , um lugar de solene convívio onde eram recepcionadas as individualidades da terra que se recebiam em visita, como o padre e os professores ou  em momentos raros de grande festa como por ocasião dos “jantares de Espírito Santo” , geralmente oferecidos em agradecimento de graças alcançadas e onde a um canto se levantava o Altar em frente do qual os “foliões” sobe o chão se pinho resinoso, sempre “escasqueado”,  cantavam e dançavam. O aparelho de “rádio”, muito raro na época, cujas “ondas” eram sintonizadas com muita dificuldade, foi a novidade que vulgarizou o uso da “sala” e que a terá generalizado como  um  espaço de maior  convívio  e utilização.

Os quartos de cama, onde se destacava o do casal progenitor, ladeado por um ou mais berços, já que as famílias numerosas deles necessitavam, por vários anos consecutivos, tantos quantos os nascimentos das suas crianças, era contraditoriamente ao pudor dos tempos passados uma parte da casa com acesso facilitado. Nele se entrava  para visitar o doente ou o menino recém-nascido.
O tear necessitava de um espaço que hoje poderíamos considerar um atelier. Havia que preparar a lã e o linho, cardando, fiando, urdindo, tecendo alisando as palhas para trança dos chapéus, costurando as roupas para o trabalho e para o domingo; enfim, um nunca mais parar de trabalhos que à luz da candeia se prolongavam pelo serão. Acomodado numa das divisões, com todos os adereços necessários, ele era um utensílio muito rudimentar mas de grande utilidade na sua finalidade.

Todos os objectos expostos, todos eles com a sua história (que aqui seria impossível descrever) e todos eles com a marca indelével dos seus antigos donos, transportando consigo todas as suas vivências e memórias foram generosamente concedidos por pessoas do concelho a quem a Câmara muito reconhecidamente agradece e através deles Lhes presta homenagem.

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